sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Um cientista ateu pode acreditar em milagres?


“No microscópio, vi uma célula letal de leucemia e tive a certeza de que a paciente a quem tal célula pertencia deveria estar morta”: assim começa o depoimento de Jackie Duffin, a médica canadense que participou como “testemunha cega” no processo de canonização de Santa Margarida d’Youville, publicado este mês pela BBC News.

“O fato de esta paciente estar viva 30 anos depois do seu encontro com a leucemia mieloide aguda (LMA) é algo que eu não consigo explicar. Mas ela sim”, afirma a hematóloga.

Em 1986, Duffin examinou algumas amostras de medula óssea sem conhecer sua procedência nem o motivo da pesquisa, que era a comprovação, por parte do Vaticano, de um milagre atribuído à fundadora das Irmãs da Caridade de Montreal.

Por meio dessa revisão, Duffin viu que a paciente havia se submetido à quimioterapia, entrou em remissão, depois teve uma recaída, passou por mais tratamentos e um segundo período de remissão.

“O Vaticano já havia rejeitado que este caso fosse considerado um milagre; seus especialistas afirmavam que a paciente não havia tido uma primeira remissão e uma recaída, mas que uma segunda rodada de tratamento produziu uma única remissão”, explica a reportagem. Esta aparentemente sutil distinção era crucial. Falamos da possibilidade médica de curar na primeira remissão, mas não depois de uma recaída.

“Eu nunca havia ouvido falar de um processo de canonização e não conseguia acreditar que a decisão exigisse tal deliberação científica”, recorda a professora de História da Medicina da Queen’s University.

“Por curiosidade, li a biografia de d’Youville: ela nasceu em Montreal e criou um lar para pobres e pessoas com deficiência, um asilo, um refeitório público e uma ordem de religiosas que fundaram escolas no mundo inteiro – conta. Sua vida certamente parecia exemplar.”

Algum tempo depois, Duffin prestou depoimento sobre seu relatório diante do tribunal eclesiástico; participaram também o médico e a paciente, que explicou como havia pedido a intercessão de d’Youville durante sua recaída.

“Finalmente, recebemos a alegre notícia: d’Youville seria canonizada pelo Papa João Paulo II em 9 de dezembro de 1990”, relata.

“As freiras que promoveram sua causa me convidaram para a cerimônia. No início, hesitei, porque não queria ofendê-las. Sou ateia e meu marido é judeu. No entanto, queriam a presença de nós dois e não poderíamos recusar o privilégio de presenciar o reconhecimento da primeira santa do nosso país”, continuou. 

Durante a cerimônia, celebrada na Basílica de São Pedro, a cientista conheceu o Papa João Paulo II: “Foi um momento inesquecível”, comentou. (Foto acima)

Em Roma, os postulantes canadenses lhe deram uma cópia da Positio, o testemunho completo do milagre de Ottawa que, entre relatórios, transcrições de testemunhos e artigos, incluía seu relatório: “Um livro que mudou minha vida completamente”.

“A historiadora que há em mim se perguntou quais haviam sido os milagres utilizados para as canonizações no passado – relata. Também eram curas? Que doenças foram curadas? No passado, a ciência médica estava tão envolvida nisso como na atualidade? O que disseram os médicos que serviram de testemunhas?”

Durante 20 anos, esta cientista estudou profundamente tais questões, inclusive com muitas viagens aos arquivos do Vaticano, e publicou dois livros sobre medicina e religião: “Milagres médicos” e “Santos médicos”.

Em “Milagres médicos”, Duffin analisa 1.400 milagres usados em processos de canonização ao longo de 400 anos; em “Santos médicos”, fala do milagre de Margarida d’Youville, bem como do caso dos santos Cosme e Damião, médicos gêmeos assassinados no ano 300.

“A investigação que fiz voltou a trazer à luz histórias dramáticas de recuperação e coragem – afirmou. Revelou notáveis paralelos entre a medicina e a religião, em termos de raciocínio e propósito, e mostrou que a Igreja não desprezou a ciência em suas deliberações sobre os milagres.”

E concluiu: “Mesmo sendo ateia, acredito em milagres, essas coisas maravilhosas que acontecem e para as quais não encontramos explicação científica”.

por Carmadélio





terça-feira, 20 de outubro de 2015

Depoimento do ex-ateu Frank Pastore

  

Frank Pastore foi um famoso jogador de beisebol (e teólogo) norte-americano, falecido em 2012. 
Durante quase 30 anos ele foi um descrente e ateu nato, tendo inclusive defendido seu ateísmo publicamente inúmeras vezes. Desafiado por amigos cristãos de seu time, Frank Pastore começou a ler livros religiosos a fim de dar a eles uma explicação mais ampla e também sobre a que conclusão teria chegado. 
Pastore acabou convencendo-se de que seu ateísmo não tinha o menor fundamento diante das maravilhosas descobertas científicas que o refutavam. O primeiro passo foi abandonar a ignorância, o segundo abandonar o orgulho ateísta (tão difícil de ser destruído), o terceiro aceitar que não viemos do nada e, por fim, admitindo a existência de um Criador, adotou o Cristianismo como sua doutrina de fé. 
Segue abaixo, o depoimento de Frank Pastore sobre o assunto.



Por 27 anos eu fui ateu. Eu pensava: "quem acredita em Deus ou deuses é bem estúpido - ou sem instrução - ingênuo, crédulo ou apenas faz shows visando dinheiro, sexo e poder." 
"Afinal de contas, todo mundo sabe que a religião é apenas uma muleta psicológica para os fracos intelectuais, certo?"
Então, o que mudou a minha mente?



Bem, eu vou contar toda a história no meu livro "Shattered", mas para os nossos propósitos aqui na Prager University, devo dizer que eu fui simplesmente desafiado por meus colegas cristãos do time Cincinnati Reds, para ler alguns livros religiosos, criticá-los e depois compartilhar com eles onde os autores estavam errados e porque o ateísmo é a única perspectiva real e verdadeira para qualquer um, não enganados pela fantasia, ficção ou mitologia.



Quero dizer, para alguém que quer basear suas crenças e valores sobre provas e argumentos, sem emoção e tradição. 



Agora veja, simplesmente me propus a refutar o teísmo. E eu achava que não iria demorar muito tempo, mas eu passei por algumas dificuldades ao longo do caminho.
Dificuldades como: Aristóteles, Agostinho, Tomás de Aquino. 


Quero dizer, em termos simples, fui confrontado com a conscientização de que há realmente 4 Big Bangs que têm de ser contabilizados, não apenas um.


Eu nunca tinha realmente considerado isso antes.
Estamos todos familiarizados com o primeiro Big Bang, certo?
Essa geralmente é a resposta dada à pergunta: "Por que existe algo do nada?"
Essa é a ideia de que não havia nada, estalou e bum! - Existe algo! Ou seja, esse tempo, matéria e espaço, tudo veio à existência em algum grande clarão cosmológico há cerca de 16 bilhões de anos atrás.
Não houve desenvolvimento gradual, sem formas de transição, apenas um 'flip' binário; um metafísico "agora você não o vê, e agora sim".



Tudo bem, eu quero seguir a evidência aonde quer que ela leve.
Contudo, os astrofísicos nos dizem que este primeiro Big Bang rendeu apenas um punhado de fundamentais elementos e que levaria bilhões e bilhões de anos para as fornalhas nucleares de trilhões de estrelas produzirem os 118 elementos na tabela periódica.



Mas, e os primeiros big bangs teóricos cosmológicos? Bem, ele só produz matéria e energia. Nem mesmo começou a abordar a origem da vida.
Então, como você começa a vida da não-vida?
Como a abiogênese ocorreu? Quer dizer, a noção de que algo pode vir do nada?
Onde está a evidência?



Bem, você vai precisar de outro "salto de algo-do-nada da fé", algum tipo de SEGUNDO BIG BANG Biológico.
Por todos os avanços alucinantes que fizemos em física, biologia e química apenas nos últimos 100 anos, estamos mais perto de explicar a origem da vida? Não temos a menor ideia! Quanto mais olhamos, maior o abismo.



Claro, nós aprendemos muito sobre como manipular as formas de vida, como somar e subtrair material de DNA, até mesmo mapear o genoma humano, mas, ainda não temos ideia de como criar a vida, literalmente, de material morto.
Agora veja, neste momento, nós ainda só temos a física, a química e alguma biologia básica - ou matéria, energia e vida simpes, se você preferir.
Mas, nós ainda não temos uma maneira de explicar a grande diversidade de formas de vida, ou seja, as enormes diferenças entre bactérias, plantas e animais!
Também não temos uma maneira de explicar as diferenças entre o homem e o animal. Nós ainda não temos uma antropologia neste ponto.



Então, nós vamos precisar de uma espécie de TERCEIRO BIG BANG Antropológico para dar conta de tudo isso, que é, naturalmente, o que Darwin estava atrás em sua tese "Descendência do Homem".
Agora veja, Darwin respondeu um monte de perguntas, mas ele nunca poderia responder à questão central: COMO É QUE A EVOLUÇÃO  COMEÇOU?
Mas, hei, não estamos ainda nem descrevendo o mundo que está ao nosso redor. Um Big Bang final vai ser obrigado a explicar como o cérebro de um animal mecanicista pode se transformar numa mente auto-reflexiva.
Até mesmo as formas de vida menores têm cérebros e sistemas nervosos central. Então, como é que algo assim se torna uma mente de um Michelangelo, um Shakespeare, um Beethoven?
Vejamos, os animais não fazem arte, e eles não apreciam a beleza. Mas, o problema é ainda mais básico que isso. Como você explica o livre arbítrio e a introspecção deixar a unidade existencial premente sozinha do homem a perguntar: "por quê?".



Bem, nós vamos precisar de algum tipo de QUARTO BIG BANG Psicológico para explicar o senso moral e estético do homem - sua busca por sentido, significado e propósito e, claro, o seu apreço pela verdade, pelo bem e pelo belo.
E, novamente, você tem que entender que esses problemas requerem big bangs; binários súbitos estalando em existência, uma vez que não há nenhuma evidência de desenvolvimentos graduais em qualquer um destes.



Então, eu, assim como você, temos uma escolha.



Ou é fé nesses quatro big bangs de "algumas coisas do nada" a explicar o que vemos ao nosso redor, ou fé em algum tipo de Deus Criador por trás de tudo isso.



Então, da próxima vez que alguém lhe questionar: "Hei, e quanto ao Big Bang?", certifique-se de perguntar-lhe: "Qual deles? O Cosmológico, o Biológico, o Antropológico ou o Psicológico?".




discurso de Frank Pastore, para a Prager University





Frank Pastore faleceu em dezembro de 2012, quase um mês depois de sofrer um grave acidente de moto. É quase inevitável indagar: e se Pastore tivesse morrido negando Deus em seu coração? 


Texto: Renato Curse


Veja abaixo o vídeo com o depoimento de Pastore.